sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desse jeitinho ,assim...

É inexpressivo. Diria até impossível à percepção. É silencioso como a respiração contínua do mundo, e tão difícil quanto falar algo que nunca pode ser dito. Entender, seria como traduzir o silêncio do encontro real com os desejos mais secretos. É uma comunhão perfeita, e a desilusão de tudo mais. Sentir e não perceber. Deixar de existir sendo... É uma pausa entre os espaços. Definições entre aspas. Dúvidas. Medo. Receio. Encanto atormentado e vibrante a cada intervalo do silêncio interrompido pelo zunido do vento que dispersa o pensamento voltado para lá. [Ou "para cá"]. É a busca mais cega e o acerto mais desajeitado, fora de hora, ordem, descompassado... No entanto, 'arbitrariamente' em seu devido lugar.  É a saudade mais estranha, que não chega a ser saudade daquilo que nem se despediu direito, por nem ter sido  oportunidade de conhecer a fundo aquilo que por um quase, quase deixou de NÃO ser um acerto. É a clareza mais distante,a lucidez mais vazia. É o acordo feito entre a inconstância do destino e a liberdade dos inocentes. É o lado invisível aos olhos. É o "imediatemente" adiado por puro despeito e ironia do tempo com a sua plena falta de bom humor. É aquilo que está nas entrelinhas, escondido atrás de um olhar, despercebido nas palavras, encoberto nas observações "passivas". É o grito mantido na garganta... É o lado mais livre e preso  de quem [disfarçadamente] vive. É desse jeito, assim...  "Como uma caixinha de música desafinada, e tão contrariamente  encantadora!"

Yna Prado

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